segunda-feira, 25 de outubro de 2010

" Intenção de compra de Dilma " começa a cair

 "Reason to Believe"

O Marketing político é polêmico. Se muita gente já questiona os "exageros" utilizados nas propagandas de shampoo, sopas ou refrigerantes, imaginem a "arte" que se utiliza pra "vender" um ser humano, cheio de erros como todos os outros.

Como as bases do Marketing continuam as mesmas (no fim das contas, todos querem convencer alguém de uma mensagem e gerar uma ação... neste caso, ao invés da "compra" estamos falando do voto), é bem interessante fazermos um comparativo. Vamos a um estudo de caso concreto:

Anos atrás, uma empresa (PT) fez um plano pra "vender" (eleger) um produto (candidata Dilma). Remodelou a embalagem (cirurgias plásticas), criou uma comunicação ("Para o Brasil continuar mudando") que tocasse o consumidor (eleitor) e, acima de tudo, se apoiou em um forte "Reason to Believe" (termo técnico de Marketing para indicar o ingrediente ou endosse que gera credibilidade ao produto): o presidente Lula.

Mas todo bom marketeiro sabe que nenhum produto se sustenta por muito tempo apenas baseado no Reason to Believe. É preciso ter um benefício mais forte que a concorrência para vencer no mercado. A vantagem (ou problema) das eleições é que estamos falando justamente de algo temporário.... em que conceitos superficiais, se bem comunicados, podem ganhar.

Pois bem, as "intenções de compra" do produto Dilma começaram respondendo muito bem à promessa apresentada. Ela disparou na frente... Mas, de repente, um grande movimento começou a aparecer mostrando os possíveis efeitos colaterais deste produto.
O crescimento de Dilma parou. Resta saber se o conceito criado para ela vai conseguir ganhar a disputa no mercado baseando-se apenas no "Reason to Believe" e na lealdade do consumidor ao produto que tem atualmente, ou se alguma outra proposta do mercado vai conseguir superá-la.

Neste caso, você também é um potencial "consumidor". Faça sua escolha corretamente.


Matéria rerirada do blog Mundo Marketing:
http://www.mundodomarketing.com.br/115,blogs,erros-de-marketing

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Closer – Se você acredita em amor à primeira vista... nunca para de procurar.

A inspiração para o nome do blog"Hello Stranger".
Eu tenho orgasmos múltiplos só de pensar em Natalie Portman pronuncionando essa frase imaginem quando vejo essa cena então?Quem assistiu entenderá. Quem não assistiu eu recomendo!

O amor é um acidente... esperando para acontecer. (frase do trailler)

Antigo filme, bom verso


ASSISTINDO AO ÓTIMO "CLOSER - Perto demais", me veio à lembrança um poema chamado "Salvação", de Nei Duclós, que tem um verso bonito que diz: "Nenhuma pessoa é lugar de repouso". Volta e meia este verso me persegue, e ele caiu como uma luva para a história que eu acompanhava dentro do cinema, em que quatro pessoas relacionam-se entre si e nunca se davam por satisfeitas, seguindo sempre em busca de algo que não sabem exatamente o que é. Não há interação com outros personagens ou com as questões banais da vida. É uma egotrip que não permite avanço, que não encontra uma saída - o que é irônico, pois o maior medo dos quatro é justamente a paralisia, precisam estar sempre em movimento. Eles certamente assinariam embaixo: nenhuma pessoa é lugar de repouso.

Apesar dos diálogos divertidos, é um filme triste. Seco. Uma mirada microscópica sobre o que o terceiro milênio tem a nos oferecer: um amplo leque de opções sexuais e descompromisso total com a eternidade - nada foi feito pra durar. Quem não estiver feliz, é só fazer a mala e bater a porta. Relações mais honestas, mais práticas e mais excitantes. Deveria parecer o paraíso, mas o fato é que saímos da sala com um gosto amargo na boca.

Com o tempo, nos tornamos pessoas maduras, aprendemos a lidar com as nossas perdas e já não temos tantas ilusões. Sabemos que não iremos encontrar uma pessoa que, sozinha, conseguirá corresponder 100% a todas as nossas expectativas sexuais, afetivas e intelectuais. Os que não se conformam com isso adotam o rodízio e aproveitam a vida. Que bom, que maravilha, então deveriam sofrer menos, não? O problema é que ninguém é tão maduro a ponto de abrir mão do que lhe restou de inocência. Ainda dói trocar o romantismo pelo ceticismo, ainda guardamos resquícios dos contos de fada. Mesmo a vida lá fora flertando descaradamente conosco, nos seduzindo com propostas tipo "leve dois, pague um", também nos parece tentadora a idéia de contrariar o verso de Duclós e encontrar alguém que acalme nossa histeria e nos faça interromper as buscas.

Não há nada de errado em curtir a mansidão de um relacionamento que já não é apaixonante, mas que oferece em troca a benção da intimidade e do silêncio compartilhado, sem ninguém mais precisar se preocupar em mentir ou dizer a verdade. Já não é preciso ficar explicando a todo instante suas contradições, seus motivos, seus desejos. Economiza-se muito em palavras, os gestos falam por si. Quer coisa melhor do que poder ficar quieto ao lado de alguém, sem que nenhum dos dois se atrapalhe com isso?

Não é pela ansiedade que se mede a grandeza de um sentimento. Sentar, ambos, de frente pra lua, havendo lua, ou de frente pra chuva, havendo chuva, e juntos fazerem um brinde com as taças, contenham elas vinho ou café, a isso chama-se trégua. Uma relação calma entre duas pessoas que, sem se preocuparem em ser modernos ou eternos, fizeram um do outro seu lugar de repouso. Preguiça de voltar à ativa? Muitas vezes, é. Mas também, vá saber, pode ser amor.

Martha Medeiros

O Filme é muito bom!
Mostra fragilidades, o poder, a resignação diante do "imutável" e como os sentimentos podem nos confundir. Ao contrário das histórias românticas habituais, “Closer” tem a virtude da imprevisibilidade. Como a vida, como o amor. Nem um nem outro isentos de dificuldades, de dores, de culpa. Quanto mais perto chegamos de alguém, maior a probabilidade de nos magoarmos. Mas valeria a pena viver as coisas de outro modo?
Não conhecia esse excelente texto a Martha, adorei, resolvi posta-lo aqui, espero que tenham gostado também. Quem assim como eu, tiver gostado do texto ou do filme, até mesmo dos dois sintam-se a vontade para comentar.
P.S- Só porque esse é o meu filme favorito. Que eu assisto sempre e cada vez com um olhar de quem encontrou a perfeição.

sábado, 16 de outubro de 2010

Milk - A voz da Igualdade



“É preciso eleger gays para que uma criança e outras milhares tenham a esperança de uma vida melhor.
A esperança de um futuro melhor.
Eu pergunto isso: se houver um assassinato espero que cinco, dez, cem, aumentando para mil.
E se uma bala entrasse em meu cérebro destruindo cada porta fechada.
Eu peço para que o movimento continue.
Porque não é um jogo pessoal.
Não é sobre o ego.
Não é sobre o poder.
É sobre os que são como “nós” aí fora.
Não só gays.
Mas os negros, os asiáticos, os idosos, os deficientes, os “nós”.
Sem esperança,
os “nós” desistem.
Sei que você não pode viver na esperança sozinho, mas sem esperança a vida não é digna de viver.
Então você… e você e você.
Tem que dar esperança.
Tem que dar esperança.”
Assim termina o filme Milk –


 Finalmente assisti este filme tão bem representado pelo Sean Penn, que interpleta de uma forma tão convincente o papel de um ativista político que assume a sua homossexualidade com muita coragem.
Lembro que quando o filme estava em cartaz eu ainda trabalhava no Cinemais Uberaba e fiquei ingenuamente torcendo para que ele chegasse até nossas bilheterias. Mas, nada. Então esses dias, lembrei-me dele e resolvi procura-lo. Enfim, assisti ao filme, gostei muito e resolvi comentar um pouco sobre.

 Nos anos 70 a homossexualidade nos Estados Unidos ainda era punida com pena de prisão. O filme mostra o peso histórico que os ativistas LGBT carregam nos seus ombros. Estes são os fantasmas do passado que nos fazem recordar que há alguns anos atrás nós não podíamos falar livremente sobre os nossos sentimentos e relações. A humilhação ocupava o lugar do orgulho, o menosprezo o lugar da dignidade.

 Nada resume melhor Harvey Milk do que o discurso da esperança que ele proferiu em São Francisco em 1978, pouco antes de ser assassinado. Nada resume melhor Harvey Milk do que a profunda convicção que toda a gente conhece um gay ou uma lésbica, mesmo não sabendo quem são. Podem ser os nossos amigos, os nossos vizinhos, os nossos pais, os nossos filhos, os nossos colegas de trabalho e até os nossos políticos!
 Mas os milhares de homossexuais que existem à nossa volta. Só serão reconhecidos no dia em que eles próprios tiverem a força e a coragem para assumir aquilo que são. O maior grito de guerra de Harvey Milk, para além do grito de esperança que tantas vezes exclamou, foi exortar todos os gays e lésbicas a saírem do "armário", a assumirem aquilo que são sem medo e sem vergonha!

  "Os negros não ganharam os seus direitos mantendo-se sentados na traseira do autocarro. Eles levantaram-se e saíram! Homossexuais, nós não ganharemos os nossos direitos se ficarmos quietos dentro dos nossos armários... nós vamos sair! Nós vamos sair para lutar contra as mentiras, os mitos, as distorções! Nós vamos sair para dizer a verdade sobre gays!"

  E é só desta forma, levando aos Homossexuais a conhecer ao mundo que os rodeia, que um dia esse mundo irá reconhecer que todos são iguais. O caminho a percorrer até termos os nossos direitos reconhecidos na sua totalidade é muito longo sim, mas há “tantos” e “tantas” que já o trilharam antes, e brilharam, e foram bem sucedidos, e foram reconhecidos como melhores do que os seus pares, apesar da sua homossexualidade! Um dia a orientação sexual dum indivíduo será tão indiferente como à cor da sua pele ou o seu gênero. Um dia a pergunta você é Homossexual? Será tão sem importância que terá o mesmo de efeito de você é pai?você é mãe? Você é solteiro? Você é estudante? E outras coisas tão naturais do nosso convivio. E nesse dia, eu espero ainda estar viva!


terça-feira, 12 de outubro de 2010

Quando alguém dirá, STOP?




VOTO & RELIGIÃO
Entre a coerência e a superficialidade
Por Gabriel Perissé em 12/10/201
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=611JDB012

 O texto fala em como as eleições se tornou um aborto político, e em como o tema está em alta, sendo publicado por exemplo, só esta semana nas revistas Época, na Veja e na CartaCapital. Segundo Gabriel o tema da hora porque, ao que tudo indica, o segundo turno para a escolha de presidente  está em virtude do voto religioso, que alguns consideram simplesmente fundamentalista.


 O conteúdo é bom. Peca, ao final, contudo, ao comparar á passeata gay com aborto. Aliás, é uma comparação constante em outros textos do observatório, colocando aborto e homoxessualidade no mesmo saco, e tratando tudo religiosamente falando. È um erro pensar que a oposição do aborto tenha fundamento meramente religioso. E mais, opção sexual tem a ver com expressar a sua própria personalidade, aborto a ver com direito fundamental a vida.

  E essa nem é essa a questão, pra que tanta ênfase nisso tudo? Se a população brasileira é tão devota assim, por que não deixam de ler horóscopos? Vários documentos oficiais do Vaticano poibem os fiéis católicos de lerem sobre seu signo. E porque a grande imprensa apoiou Fernando Henrique, ateu reconhecido? Vocês compreendem? Isso não levará a lugar nenhum.

 O que deveria estar sendo descutido no entanto, seria, porque a eduacação, transporte publico de qualidade, segurança publica, e ações sociais sofreram de aminésia nos ultimos debates publicos, isso sim era para estar sendo cobrado, ficar falando de morais e bons costumes, não resolverá nada, as pessoas já tem suas opiniões formadas, e essas opiniões não serão mudadas, nem é correto que haja julgamento de uma pessoa por ela expressar sua opinião seja ela qual for, podem até não corcordar, mas, não tem o direito de julgar. E a liberdade de expressão?

 Portanto eu espero desesperadamente, que alguém diga um basta a isso tudo, que parem com essas estratégias cristãs para obter proveito nas urnas, e que dilmistas e serristas busquem propostas polísticas, que apresentem planos de governo e não falem em nome de Jesus. E deveria também, ser essa a preocupação da imprensa e população brasileira.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Twitter planeja abrir escritório em São Paulo, diz jornal

De acordo com executiva, site deve ganhar versão em português em breve.
Dos 60 milhões de 'tuítes' diários, 9,6 milhões são publicados do Brasil.
Vírus recebeu nome informal de #wtfworm
Serviço de microblog vê Brasil como um de seus principais mercados.
O serviço de microblog Twitter pretende iniciar, nos próximos meses, um novo sentro de operação na América Latina. A cidade escolhida para receber os escritórios da empresa é São Paulo, segundo afirmou a responsável pelo suporte técnico e planos de internacionalização do Twitter, Laura Gõmez, em entrevista publicada nesta sexta-feira (8) no jornal argentino "La Nacion".
"O Brasil é o maior mkercado internacional do Twitter, menor apenas que os Estados Unidos", afirmou Laura. De acordo com a executiva, um em cada 5 novos integrantes da rede social vem da América Latina, e a região teve crescimento de 420% no número de usuários do site nos últimos 6 meses.
De acordo com Laura, o Twitter deve ganhar uma versão em português nos próximos meses, quando começará o processo de tradução do site. "Os brasileiros produzem 16% de todas as mensagens publicadas no site". Diariamente são publicadas 60 milhões de mensagens no site, 9,6 milhões vindas do Brasil.
Atualmente, 25% dos usuários do Twitter são dos Estados Unidos. Além do Brasil, outros mercados relevantes para o site, segundo Laura, são o Reino Unido, o Japão, a Índia e a Indonésia.



Texto retirado do G1, em São Paulo postado no twitter!

Foto Novela


A Foto novela "Prova essa balada" conta a história de seis estudantes que trocam uma revisão de prova para ir à balada com um planejamento de se divertirem e voltar a tempo para uma prova no último horário, mais durante essa irresponsável aventura, certos acontecimentos leva a história para um pesadelo imenso fazendo com que muitas lições sejam aprendidas.

Caso alguém tenha interessado, ressalto que breve colocarei a história completa aqui.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Além do Ponto

Chovia, chovia, chovia e eu ia indo por dentro da chuva ao encontro dele, sem guarda-chuva nem nada, eu sempre perdia todos pelos bares, só levava uma garrafa de conhaque barato apertada contra o peito, parece falso dito desse jeito, mas bem assim eu ia pelo meio da chhuva, uma garrafa de conhaque na mão e um maço de cigarros molhados no bolso. Teve uma hora que eu podia ter tomado um táxi, mas não era muito longe, e se eu tomasse um táxi não poderia comprar cigarros nem conhaque, e eu pensei com força então que seria melhor chegar molhado da chuva, porque aí beberíamos o conhaque, fazia frio, nem tanto frio, mais umidade entrando pelo pano das roupas, pela sola fina esburacada dos sapatos, e fumaríamos beberíamos sem medidas, haveria música, sempre aquelas vozes roucas, aquele sax gemido e o olho dele posto em cima de mim, ducha morna distendendo meus músculos. Mas chovia ainda, meus olhos ardiam de frio, o nariz começava a escorrer, eu limpava com as costas das mãos e o líquido do nariz endurecia logo sobre os pêlos, eu enfiava as mãos avermelhadas no fundo dos bolsos e ia indo, eu ia indo e pulando as poças d'água com as pernas geladas. Tão geladas as pernas e os braços e a cara que pensei em abrir a garrafa para beber um gole, mas não queria chegar na casa dele meio bêbado, hálito fedendo, não queria que ele pensasse que eu andava bebendo, e eu andava, todo dia um bom pretexto, e fui pensando também que ele ia pensar que eu andava sem dinheiro, chegando a pé naquela chuva toda, e eu andava, estômago dolorido de fome, e eu não queria que ele pensasse que eu andava insone, e eu andava, roxas olheiras, teria que ter cuidado com o lábio inferior ao sorrir, se sorrisse, e quase certamente sim, quando o encontrasse, para que não visse o dente quebrado e pensasse que eu andava relaxando, sem ir ao dentista, e eu andava, e tudo que eu andava fazendo e sendo eu não queria que ele visse nem soubesse, mas depois de pensar isso me deu um desgosto porque fui percebendo percebendo, por dentro da chuva, que talvez eu não quisesse que ele soubesse que eu era eu, e eu era. Começou a acontecer uma coisa confusa na minha cabeça, essa história de não querer que ele soubesse que eu era eu, encharcado naquela chuva toda que caía, caía, caía e tive vontade de voltar para algum lugar seco e quente, se houvesse, e não lembrava de nenhum, ou parar para sempre ali mesmo naquela esquina cinzenta que eu tentava atravessar sem conseguir, os carros me jogando água e lama ao passar, mas eu não podia, ou podia mas não devia, ou podia mas não queria ou não sabia mais como se parava ou voltava atrás, eu tinha que continuar indo ao encontro dele, ou podia mas não queria ou não sabia mais como se parava ou voltava atrás, eu tinha que continuar indo ao encontro dele, que me abriria a porta, o sax gemido ao fundo e quem sabe uma lareira, pinhões, vinho quente com cravo e canela, essas coisas do inverno, e mais ainda, eu precisava deter a vontade de voltar atrás ou ficar parado, pois tem um ponto, eu descobria, em que você perde o comando das próprias pernas, não é bem assim, descoberta tortuosa que o frio e a chuva não me deixavam mastigar direito, eu apenas começava a saber que tem um ponto, e eu dividido querendo ver o depois do ponto e também aquele agradável dele me esperando quente e pronto.

Um carro passou mais perto e me molhou inteiro, sairia um rio das minhas roupas se conseguisse torcê-las, então decidi na minha cabeça que depois de abrir a porta ele diria qualquer coisa tipo mas como você está molhado, sem nenhum espanto, porque ele me esperava, ele me chamava, eu só ia indo porque ele me chamava, eu me atrevia, eu ia além daquele ponto de estar parado, agora pelo caminho de árvores sem folhas e a rua interrompida que eu revia daquele jeito estranho de já ter estado lá sem nunca ter, hesitava mas ia indo, no meio da cidade como um invisível fio saindo da cabeça dele até a minha, quem me via assim molhado não via nosso segredo, via apenas um sujeito molhado sem capa nem guarda-chuva, só uma garrafa de conhaque barato apertada contra o peito. Era a mim que ele chamava, pelo meio da cidade, puxando o fio desde a minha cabeça até a dele, por dentro da chuva, era para mim que ele abriria sua porta, chegando muito perto agora, tão perto que uma quentura me subia para o rosto, como se tivesse bebido o conhaque todo, trocaria minha roupa molhada por outra mais seca e tomaria lentamente minhas mãos entre as suas, acariciando-as devagar para aquecê-las, espantando o roxo da pele fria, começava a escurecer, era cedo ainda, mas ia escurecendo cedo, mais cedo que de costume, e nem era inverno, ele arrumaria uma cama larga com muitos cobertores, e foi então que escorreguei e caí e tudo tão de repente, para proteger a garrafa apertei-a mais contra o peito e ela bateu numa pedra, e além da água da chuva e da lama dos carros a minha roupa agora também estava encharcada de conhaque, como um bêbado, fedendo, não beberíamos então, tentei sorrir, com cuidado, o lábio inferior quase imóvel, escondendo o caco do dente, e pensei na lama que ele limparia terno, porque era a mim que ele chamava, porque era a mim que ele escolhia, porque era para mim e só para mim que ele abriria a sua porta.


Chovia sempre e eu custei para conseguir me levantar daquela poça de lama, chegava num ponto, eu voltava ao ponto, em que era necessário um esforço muito grande, era preciso um esforço muito grande, era preciso um esforço tão terrível que precisei sorri mais sozinho e inventar mais um pouco, aquecendo meu segredo, e dei alguns passos, mas como se faz? me perguntei, como se faz isso de colocar um pé após o outro, equilibrando a cabeça sobre os ombros, mantendo ereta a coluna vertebral, desaprendia, não era quase nada, eu mantido apenas por aquele fio invisível ligado à minha cabeça, agora tão próximo que se quisesse eu poderia imaginar alguma coisa como um zumbido eletrônico saindo da cabeça dele até chegar na minha, mas como se faz? eu reaprendia e inventava sempre, sempre em direção a ele, para chegar inteiro, os pedaços de mim todos misturados que ele disporia sem pressa, como quem brinca com um quebra-cabeça para formar que castelo, que bosque, que verme ou deus, eu não sabia, mas ia indo pela chuva porque esse era meu único sentido, meu único destino: bater naquela porta escura onde eu batia agora. E bati, e bati outra vez, e tornei a bater, e continuei batendo sem me importar que as pessoas na rua parassem para olhar, eu quis chamá-lo, mas tinha esquecido seu nome, se é que alguma vez o soube, se é que ele o teve um dia, talvez eu tivesse febre, tudo ficara muito confuso, idéias misturadas, tremores, água de chuva e lama e conhaque batendo e continuava chovendo sem parar, mas eu não ia mais indo por dentro da chuva, pelo meio da cidade, eu só estava parado naquela porta fazia muito tempo, depois do ponto, tão escuro agora que eu não conseguiria nunca mais encontrar o caminho de volta, nem tentar outra coisa, outra ação, outro gesto além de continuar batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, na mesma porta que não abre nunca.